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sexta-feira, 29 de maio de 2015
terça-feira, 23 de setembro de 2014
A vida de felino - Por Vilma Costa
Os felinos são os animais mais elegantes do reino animal. Possuem um andar gracioso, de movimentos leves e precisos. Passam os dias mais sonolentos e mais atentos à noite, observam tudo com um olhar penetrante. Observar um felino é encantador! Os saltos à distância são de extrema elegância e precisão, praticam alongamento enquanto se livram dos pelos mortos que insistem em ficar pelo corpo.Gatos domésticos não são como cães pequenos e suas particularidades devem ser respeitadas, para não despertarmos distúrbios comportamentais nesses seres incríveis Felinos domésticos possuem rotina, qualquer situação que os impeçam de cumpri-la podem gerar estresse, é preciso estar atento aos sinais. É comum que eles façam ingestão de água sempre nos mesmos horários, que se alimentem em horários que eles determinam e que tirem uma soneca sempre no mesmo período.
Quando um filhote é introduzido, o gato adulto pode ter sua rotina alterada, já que o filhote é mais ativo, pode pular sobre o adulto que tenta dormir, planejar emboscadas para atacá-lo enquanto come, para o filhote isto é brincadeira, para o adulto isso pode ser muita chateação, vai depender da rotina que ele tem. Felinos não gostam de viver sozinhos, mas a introdução de um companheiro deve ser realizada com cautela. Costumo dizer que os gatos são seres superiores, comecei a notar esta superioridade observando o comportamento da minha gata sem raça definida, Taylor, ela gosta de ficar na recepção do meu consultório. Ela demonstra auto controle quando para em frente um cão e o encara sem atacar ou fugir, às vezes olha com certo ar de desprezo para cães que demonstram descontrole total à sua frente, assim como quem diz: “tá vendo! Por isso você precisa de coleira e eu não, pq eu sei me comportar”.
Eles precisam de um ambiente rico, para que possam dormir nas alturas, sobre prateleiras, brinquedos para se divertirem, devem ser estimulados a brincarem, pois o risco de se tornarem obesos por falta de atividade física é grande. Gatos abusam das articulações, sempre saltando, correndo por isso, é necessário um cuidado maior com articulações, o mercado dispõe de alguns suplementos específicos para articulação, o veterinário pode indicar o momento certo de usar este recurso protetor para articulação. Cuidados com água e alimentação também são extremamente importante. Além de ração seca de boa qualidade eles precisam de alimentos úmidos (patês), para prevenção de doenças renais. Como são seres muito superiores, não gostam de água parada, por isso podem pedir para abrir a torneira ou ficam esperando o proprietário sair do banho para entrarem e beber água.
A baixa ingestão de água pode causar insuficiência renal. Aconselho a instalação de uma fonte ou bebedouro específico para gatos, a fica viva, como se estivesse brotando de uma mina, bem fresca. Um erro muito comum e muitas vezes fatal, é permitir que o gato saia de casa, eles não devem sair, pois se envolvem em brigas por território, podem voltar infestados por pulgas, adquirir doenças fungicas e virais, ou até mesmo serem mortos por atropelamento e envenenamento. Proprietários de felinos devem proteger as janelas e portas com tela para impedir as fugas, no início eles podem até chorar, mas se adaptam com facilidade. Gatos precisam de banho, escovação do pelo, vacinação, remédio contra verme. Eles não são independentes como muitos pensam e afirmam, eles não são egoístas ou interesseiros. É preciso observar como este indivíduo é tratado.
Eu admiro, respeito e quanto mais observo o comportamento, mais fascinada eu fico. A inteligência, a persistência, nunca desistem do que querem, por isso às vezes parecem não estar nem aí pra gente. A Taylor aprendeu a abrir gaiolas e para manter seu território seguro, nem sempre permite que eu atenda outros gatos em meu consultório, preciso colocá-la pra fora da sala.Observe seu gato e terá certeza de que ele é incrível! Ofereça as condições que ele necessita para viver bem e por muito tempo, eles podem viver até 20 anos em sua companhia. E em tempos de eleição nunca é demais lembrar: Cuidado com candidatos que dizem ser protetores de animais, pode ser apenas marketing político. Quem faz o bem não dizendo a quem.
Vilma Costa, é bióloga e veterinária
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Nem tudo que causa coceira é sarna - Por Vilma Costa
A pele é o maior órgão do corpo, mas nem todos a valorizam como deveria. É muito comum as pessoas dizerem: é só pele, só uma coceirinha, só uma feridinha.Faz parte do senso comum que tudo que causa coceira é sarna e muitos tratamentos caseiros são propostos, a maioria são extremamente perigosos e vão desde o uso de enxofre, passando pelo óleo queimado até banhos de imersão em amitraz.
Esta semana atendi um cão de 4 anos de idade que chegou ao meu consultório convulsionando. A proprietária relatou que há alguns dias o cão apresentava quadro convulsivo pelo menos duas vezes ao dia. O animal apresentava muitas lesões na pele que estava bastante vermelha, quase em chamas. Perguntei se estava tratando e ela informou que sim, que estava usando medicamentos contra sarna.
Questionei sobre quem fez tal diagnóstico e ela disse que um vizinho que trabalha em uma UBS (unidade básica de saúde). Era o início para o diagnóstico sobre a causa da convulsão.
A senhora estava dando banhos com amitraz e após secar o animal, polvilhava enxofre sobre o corpo, também utilizava um óleo que não soube explicar a origem ou composição.
O amitraz é extremamente tóxico, apenas deve ser utilizado quando não houver outra opção e apenas deve ser realizado banho em local especializado acompanhado por um médico veterinário.
O animal, na verdade, tem piodermite, não tem sarna e a convulsão estava sendo causada por intoxicação devido ao uso errado do amitraz associado ao enxofre e o tal óleo. É preciso ter muito cuidado com uso de produtos indicados para banhos terapêuticos, deve se respeitar as diluições e as restrições a determinadas raças e idade do animal. A pele absorve o princípio ativo e a intoxicação ocorre pela absorção cutânea.
Mais de 90% dos casos dermatológicos que chegam ao meu consultório, que tem como sintoma a coceira, não são sarna! Cuidado! O amitraz pode matar e mesmo em casos de diagnóstico de sarna o amitraz não é a única opção e no meu caso, ele nunca faz parte do tratamento. Não existe milagre, nenhum medicamento é milagroso, em casos de doenças da pele é preciso avaliar os danos, as lesões e aí sim, definir quais medicamentos devem ser administrados.
Este cão poderia ter morrido aos 4 anos de idade, assim como muitos morrem intoxicados por amitraz. Não realize nenhum tratamento sem indicação de um médico veterinário. Além da pele, estou tratando o sistema nervoso do pequeno cãozinho, que sobreviveu ao tratamento maluco e irresponsável proposto por alguém que atende em um posto de saúde humano!
Vilma Costa, é bióloga e veterinária
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Fumaça de cigarro afeta saúde dos bichos de estimação
Conviver com quem fuma pode trazer sérias consequências aos não fumantes. Mas não somos os únicos a sofrer como fumantes passivos. Pesquisas comprovam que os animais de estimação que convivem com quem fuma também podem desenvolver doenças respiratórias e pulmonares. … Leia +
Fonte: PetRede - Notícias, dicas, matérias, vídeos e muito mais coisas anim
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Diclofenaco e Paracetamol: Medicamentos que matam - Por Vilma Costa
O uso indiscriminado de medicamentos é uma triste e perigosa realidade. Além de se automedicar grande parte da população, medica seus animais de estimação sem orientação de um médico veterinário. O resultado desses tratamentos, em muitos casos é o óbito do animal.Os medicamentos de uso humano mais letais aos pequenos animais são o paracetamol e o diclofenaco. Infelizmente nem sempre é possível manter vivo um paciente que tenha ingerido tais drogas.
O paracetamol é extremamente tóxico para os gatos, ao ser metabolizado pelo fígado, torna-se uma substância letal para os felinos, causando uma morte quase que instantânea.
Já atendi casos de cães que foram “medicados” por seus proprietários com diclofenaco e estes apresentavam úlcera em graus variados, insuficiência renal aguda e hemorragia o trato digestório. Vou relatar aqui o caso que mais me indignou: cão, poodle, 7 anos de idade, um ano antes foi socorrido em meu consultório, vítima de seu próprio dono que administrou diclofenaco para tratar dor.
O cão ficou internado durante 3 dias e teve alta sem nenhuma sequela. Proprietário foi informado sobre a proibição do uso da droga para animais de pequeno porte e alertado sobre o risco de morte ao qual submeteu seu cãozinho. Um ano depois, o cão volta, novamente o proprietário o “medicou” com tal droga, dizendo não ter acreditado muito na história que eu contei sobre os riscos. Infelizmente, desta vez o cãozinho já chegou em choque e seu estômago estava rompido com uma úlcera gigante. O pequeno pagou com a vida pela irresponsabilidade de quem deveria exercer a posse responsável.
Não medique! Um gato não é um cão pequeno, mesmo medicamentos indicados para cães são proibidos para gatos, podem causar a morte! Um cão não é uma criança, por isso não adianta pensar que administrar um medicamento infantil seja seguro. Ele pode matar! As espécies são diferentes, apenas um médico veterinário tem competência para avaliar e prescrever medicações para tratar o que só ele pode diagnosticar.
Cuide bem do seu animal de estimação. Não coloque sua vida em risco. Procure sempre um médico veterinário. Estes dois medicamentos citados aqui, são apenas os mais comuns causadores de morte entre animais, mas não são os únicos.
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Carta Pública: De: Conselho Regional de Medicina Veterinária - Para: Luisa Mell-
Luisa Mell
O Conselho Regional de Medicina Veterinária teve conhecimento de sua lamentável manifestação a respeito do hospital veterinário que prestou atendimento a um animal resgatado por sua equipe e que tomou grandes proporções nas redes sociais, gerando milhares de comentários desabonadores contra profissionais médicos veterinários. Em razão disso, este CRMV-SP vem, em DEFESA de nossa nobre profissão e com grande indignação, ressaltar a Vossa Senhoria, à sua equipe de proteção animal e a todos os demais protetores, que o médico veterinário é um profissional como todos os demais, vivendo da remuneração de seu trabalho e que deve ser respeitado por isso.
Há, desde o princípio, um enorme investimento financeiro, físico, mental e psicológico durante toda a graduação em Medicina Veterinária, esforço que se propaga ao longo de toda a carreira, por ser uma profissão que exige muita dedicação, em razão de cuidar de vidas animais, proteger a sociedade e zelar pela preservação do meio ambiente. O médico veterinário tem sido de forma constante cobrado por pessoas que se nomeiam “protetores animais” para que exerça sua profissão de forma gratuita ou mesmo por preços irrisórios, sendo literalmente atacado em caso de recusa. É importante ressaltar que muitos desses protetores são de classes sociais elevadas, possuindo recursos financeiros investidos em conforto e ostentação, tendo claras condições de um maior investimento nos cuidados dos animais resgatados.
Infelizmente, tais pessoas encontram na causa animal uma forma de se promover, usando a proteção, inclusive, como cunho político, e não por realmente se importarem com a situação. Assim, fazer caridade com as mãos dos outros se torna a melhor opção. Como nas áreas da saúde humana, onde não se costuma ver pessoas atacarem os profissionais por não atenderem pessoas carentes sem cobrança de honorários, há, no município de São Paulo, dois hospitais veterinários públicos, que atendem de forma gratuita, além das diversas Universidades em todo o Estado, prestando atendimento com preços populares.
Porém, alguns protetores procuram as clínicas e os hospitais mais conceituados de São Paulo para a realização do atendimento, talvez porque não desejam esperar por algumas horas nas filas do hospital público ou mesmo não se sintam à vontade em dividir a recepção com pessoas de baixa renda, dando preferência ao conforto das instalações dos estabelecimentos considerados de alto padrão. Ressalte-se, ainda, que o Código de Ética Profissional do Médico Veterinário, aprovado pela Resolução CFMV 722/02, dispõe que não é permitida a prestação de serviços gratuitos ou por preços abaixo dos usualmente praticados, exceto em caso de pesquisa, ensino ou de utilidade pública.
Ou seja, o profissional que possui consultório, clínica ou hospital particular, somente pode prestar atendimentos gratuitos ou a preços baixos se possuir convênio ou parceria com um órgão público, sendo, desta forma, caracterizado como serviço de utilidade pública. Por fim, este Conselho solicita a Vossa Senhoria o devido respeito que nossa profissão exige, deixando de divulgar os frequentes comentários desabonadores vistos atualmente, especialmente através de suas redes sociais.
Atenciosamente,
Francisco Cavalcanti de Almeida
Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo
domingo, 8 de junho de 2014
Terapia assistida por animais - TAA - Por Vilma Costa
Muitos animais tem o poder de curar pessoas, principalmente nos casos de depressão, ou auxiliar no processo de cura, em casos de pacientes transplantados cardíacos, com arritmia. Pacientes com síndromes ou doenças que afetam as funções cerebrais, também são beneficiados com os animais co-terapeutas. No Hospital Dante Pazzanese de cardiologia em São Paulo, uma amiga trabalhou durante alguns anos com gatos, que ajudavam pacientes cardíacos, recém transplantados ou portadores de arritmias, no ajuste do compasso cardíaco. Os felinos são colocados sobre o tórax dos pacientes e o “ronronado” dos gatos, faz com que o coração passe a bater no ritimo correto.
Desde 2009, o Hospital Albert Einstein em São Paulo permite a entrada de animais, desde que o médico autorize. O animal pode ser um terapeuta, ou o próprio animal de estimação do paciente. Há relatos de médicos do hospital que há tanto redução no tempo de internação, quanto redução de medicamentos durante o tratamento de pacientes que recebem visitas de animais. A equoterapia é um excelente recurso, pois permite que o paciente tenha a sensação de liberdade, sem restrições e está disponível em várias cidades.Cães e gatos são fundamentais para a manutenção da sanidade mental de vários idosos, já que estes se sentem úteis ao cuidar do bichinho de estimação e estão sempre em atividade, conversando, dando broncas, se divertindo com o parceiro de toda hora e que topa tudo.
Tenho clientes, proprietários de cães e gatos que relatam que o comportamento do filho melhorou muito depois de ser responsável por um animal; outros que afirmam ter se curado da depressão com ajuda de um animal de estimação e muitos que dizem que seus filhos hiperativos, encontraram a tranquilidade em um aquário e atualmente possuem melhor qualidade de vida.
Em 2002, tive a oportunidade de utilizar animais de companhia para auxiliar no tratamento de crianças com paralisia cerebral de vários graus, crianças com síndrome do Xfrágil e outras patologias que afetam o sistema nervoso e podem comprometer o desenvolvimento mental.
Foi uma experiência incrível, é nítida e imediata a evolução dos pacientes ao entrarem em contato com animais. Crianças que não se comunicavam, passaram a se esforçar para se comunicar com os animais; crianças que não andavam e possuíam condições motoras para caminhar e não faziam, passaram a dar os primeiros passos para poder se aproximar de cães, ferrets, lagartos.
Neste instituto eu trabalhava com animais exóticos, os resultados foram ótimos, crianças felizes, interagindo, melhorando, evoluindo, porém, nem todo animal pode ser terapeuta. Para ser terapeuta ou co-terapeuta, o animal precisa ser dócil, sociável, obediente, muito brincalhão, paciente e saudável. Sendo terapeuta ou de estimação, eles são fundamentais para saúde física e mental dos seres humanos, pacientes em tratamento em um hospital ou simplesmente membros de suas famílias.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
CFMV contribui para a regulamentação dos medicamentos genéricos veterinários
Fonte: Portal do CFMV.
CFMV contribui para a regulamentação dos medicamentos genéricos veterinários Após um estudo aprofundado e sugestões dos Conselhos Regionais e das Comissões Técnicas, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) enviou, na segunda-feira 05/05, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ofício com propostas para regulamentação da Lei º 12.689/12, que estabelece o medicamento genérico de uso veterinário. Para o CFMV, assim como nos medicamentos humanos, o medicamento genérico veterinário trará ganho, principalmente, na qualidade dos produtos e preço. Mas o Conselho alerta que o texto da Lei 12.689/2012 alterou a conceituação de produtos de uso veterinário e, desde então, o define como substância “cuja administração seja aplicada de forma individual ou coletiva...”. Com essa mudança, as substâncias utilizadas in vitro nas provas laboratoriais de apoio diagnóstico deixaram de ser consideradas produtos de uso veterinário. Isso poderá estimular o desinteresse das indústrias em produzir medicamentos, pois elas não saberão a destinação que poderá ser dada a cada produto e se haverá legalidade ou não na comercialização das substâncias. Além de alertar sobre os riscos dessa alteração, no documento enviado na última segunda ao Mapa, o CFMV esclarece pontos importantes sobre o processo de produção dos medicamentos genéricos; ações que devem ser exclusivas do médico veterinário; rotulagem; anotação de responsabilidade técnica junto ao respectivo Conselho de Fiscalização Profissional da jurisdição onde o produto foi industrializado; possibilidades de manipulação de princípios ativos em farmácias de manipulação; medicamentos genéricos fabricados fora do país; obrigatoriedade da realização de ensaios por cada espécie animal; entre outros. Uma das preocupações do Conselho são os procedimentos para que um princípio ativo receba o título de genérico. Nesse caso, a exemplo do que foi feito com os medicamentos humanos, será necessária a criação de medicamentos de referência, com especificações para cada espécie. Essa referência é o parâmetro para os testes de bioequivalência entre produtos. De acordo com o presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda, atualmente, existem inúmeros medicamentos registrados com o mesmo princípio ativo de referência de uso veterinário no órgão federal competente, porém, para efetuar o registro, não havia a necessidade de comprovação da bioequivalência. "Com a nova lei, o Mapa será responsável pela análise do medicamento genérico, mediante coleta de amostras do produto na indústria e no comércio e, consequentemente, a confirmação da bioequivalência. A forma como o medicamento se comporta no organismo do animal também é outra preocupação do Conselho. Mas, sem dúvida, a lei é um avanço”, afirma o presidente.
Comentário: "Quanto aos medicamentos com indicação veterinária é importante ressaltar que os valores chegam a ser 5 vezes maior que o seu similar de indicação humana. Os laboratórios alegam que os impostos são mais altos no setor veterinário se comparado ao humano, além do volume de vendas ser bem menor. Esta conquista pode melhorar muito a terapêutica e possibilitar que todos possam tratar seus animais doentes, pois os custos com medicações atualmente são os limitantes no tratamento." Vilma Costa
Semana de Conscientização e Proteção dos Direitos dos Animais é aprovada na Comissão do Meio Ambiente da Alesp
Fonte: CRMV-SP
A Comissão do Meio Ambiente, da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), aprovou, em reunião realizada no dia 23 de abril, o Projeto de Lei n. 772/2013, de autoria do Deputado Estadual Fernando Capez (PSDB), que institui a inclusão, no Calendário Oficial do Estado, da Semana de Conscientização e Proteção dos Direitos dos Animais no Estado de São Paulo, a ser comemorada anualmente na semana que inclui o dia 4 de outubro, data em que se comemora o Dia Internacional do Animal.
Agora, o projeto foi encaminhado à Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento e, após, seguirá para votação no plenário da Casa. Capez tem uma marcante atuação na defesa da causa animal, pois, desde a sua posse na Alesp, em março de 2007, apresentou inúmeras proposituras no sentido de combater os maus-tratos aos animais.
Segundo o artigo 3.º do projeto de lei, durante a referida semana, os Poderes Executivo e Legislativo promoverão eventos, palestras, campanhas e aulas com o objetivo de gerar reflexão e conscientização acerca dos direitos dos animais. O Estado poderá, também, realizar parcerias com a iniciativa privada para promover tais comemorações.
terça-feira, 6 de maio de 2014
É tempo de promover maus tratos aos animais nas escolas - Por Vilma Costa
A função da escola é educar, preparar para a vida, formar um cidadão. Mas como este processo ocorre? Meu objetivo não é discutir pedagogia, embora eu mesma seja educadora, além de médica veterinária e bióloga.Todos os anos o nosso setor de aquarismo recebe encomendas de peixes para serem doados durante as festas juninas. Animais doados em festas? Para crianças e dentro de uma instituição educacional? Qual a proposta pedagógica?
Algumas escolas os colocam em caixas d`água e permitem que crianças e adultos os pesquem com redes ou varas com anzóis, geralmente esta prática causa várias lesões aos peixes, impedindo que possam se alimentar posteriormente devido aos ferimentos na boca, provocados pelos anzóis. Peixes ornamentais não vivem sem estrutura mínima: aquário, filtro, produtos que preparam a água. A criança pode exercer posse responsável?
É comum, nos dias das festas e até mesmo dias depois, alguns pais nos procurarem desesperados, querendo um outro peixe por que aquele que o filho ganhou na escola morreu. O peixe não resistiu as péssimas condições as quais foi submetido. O que a criança aprendeu com isso? O que a escola pretendeu ensinar? Pra criança é muito mais marcante os exemplos, nossas atitudes, muito mais do que nossas palavras. Posso falar durante horas, mas o que vai ficar gravado é o que a criança viu.
Na minha opinião é uma transgressão, é promover a desvalorização da vida, é transmitir valores equivocados, é formar um cidadão sem sentimentos quanto outras formas de vida. É ensinar que o homem é o criador e todos os outros são criaturas disponíveis no mundo apenas para satisfazer as vontades e necessidades humanas. Não apenas os peixes são vítimas, coelhos, cobaias e pintinhos também são utilizados durante as festas. Animais não são produtos, não podem ser doados como brindes. Nossos filhos devem frequentar a escola com o objetivo de saírem de lá melhores do que entraram.
Cabe aos pais e responsáveis cobrar da instituição que não pratiquem maus tratos, que não promovam maus tratos e sim, promovam discussões sobre como evitar que crimes contra animais sejam cometidos, que se discuta posse responsável.Cabe aos educadores o exercício da pedagogia e da cidadania, somos formadores de opinião, de caráter, de seres humanos, que serão pessoas melhores ou piores, dependendo do nosso desempenho, do nosso comprometimento. Somos instrumentos para educação.
Parece brincadeira de criança, inocente, sem propósito, mas é anti pedagógica e imoral. Maus tratos a animais é crime!Vamos festejar sim! Mas sem sacrifício de nenhum animal! Que nossas crianças aprendam pelo amor e não pela dor.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
O que os cães esperam do Brasil na Copa do Mundo? - Por Vilma Costa
Para muitos o futebol não tem a mínima importância. Porém, para muitos outros, futebol é sinônimo de pânico. Os sons produzidos durante a queima de fogos de artifício, causam pânico em vários cães. Vale lembrar que a audição do cão é muito mais sensível do que a dos humanos, muito mais desenvolvida, por isso, estes sons são extremamente agressivos, muito superiores ao tolerável pelos animais.
Tive uma cadelinha chamada Pretinha, na verdade ela me adotou após ser abandonada por seu dono, próxima ao meu consultório. Pretinha era muito esperta e independente, fazia apenas o que queria, mas não o tempo todo.Quando ouvia a voz do Galvão Bueno, fazia um movimento com as orelhas e buscava um esconderijo, um abrigo contra o ataque terrorista. Ela associava a voz do Galvão com os fogos de artifício. O trauma afetava tanto sua vida, que mesmo quando não era o Galvão, quando alguém dizia bem amigos da rede globo...pronto, ela já se desesperava, a expressão facial, os olhos grandes saltados, era a própria expressão do terror.
Mas nem todos, reagem desta forma, muitos querem fugir, pulam muros, janelas, tentam entrar embaixo de móveis. Estas atitudes desesperadas, em geral, causam ferimentos gravíssimos e em alguns casos, causam a morte.Já ouvi relatos de proprietários que perderam seus cães enforcados, pois como medida protetora, os proprietários os deixavam presos em cômodos fechados ou em lajes, um desses proprietários não considerou a janela aberta, seu cão pulou e morreu enforcado pela coleira, outro pulou da laje, os dois pelo mesmo motivo: pânico de fogos de artifício.
Já atendi um cão que teve os testículos dilacerados ao tentar pular uma cerca de arame para fugir dos fogos, atendi vários outros com crises convulsivas durante a queima de fogos nas festas de final de ano, em jogos importantes ou de grande rivalidade.
A incidência de queima de fogos é maior em determinadas épocas do ano e durante a Copa do mundo, dependendo do desempenho da seleção local, este fenômeno pode ocorrer com grande intensidade. Não se deve pensar em uma solução imediata, instantânea, não aconselho o que muitos fazem, que é a administração de relaxantes musculares, pois o animal continua consciente, apenas não consegue sair do lugar. Na minha opinião, esta situação aumenta o pânico e o risco de morte. Me imagino tentando fugir daquele que tenta me matar, mas minhas pernas não obedecem aos comandos cerebrais.
O tratamento para os cães adultos deve ter início o quanto antes, com a utilização de recursos como o adestramento, florais, fitoterápicos, homeopáticos e somente em último caso, drogas tranquilizantes e ou anestésicas. Para os filhotes, recomendo que o proprietário pegue-o no colo e leve-o junto para comemorar e ver os fogos, mesmo que não goste de futebol, comemore, isto fará com que o cãozinho associe os sons estrondosos com sensações agradáveis, como estar junto ao seu proprietário brincando, fazendo festa. Faço isto com todos os filhotes que adoto e funciona sempre. O contrário, isolar o cão, é muito pior, imagina você desesperado e sozinho, preso em um quarto escuro, esperando pelo pior?
Tentar proteger, não é aconselhável, pois irá confirmar as suspeitas do cão, ele terá certeza de que trata-se de uma situação perigosa. É necessário transmitir confiança, segurança e tranquilidade, sempre associando os fogos a situações agradáveis. Não deixe para procurar ajuda um dia antes dos jogos, procure agora e se o médico que atender oferecer um tranquilizante relaxante muscular, procure segunda opinião. Não deixe seu cão sozinho, preso ou trancado, aproveite e assista os jogos com ele, comemore com ele. Afinal vocês são uma família e família nunca abandona.
terça-feira, 8 de abril de 2014
Cuidados necessários com a saúde de animais idosos - Por Vilma Costa
Os absurdos motivam meus escritos, talvez, na tentativa de não ouvi-los mais ou quem sabe, e neste eu acredito mais, na esperança de que os animais realmente sejam tratados de forma digna, tanto por médicos, quanto por aqueles que possuem suas guardas e aí então, não ouvirei mais absurdos como o desta semana.Proprietária liga em meu consultório e pede para falar comigo: “ Bom dia doutora! O T... não está andando, não quer comer”. Questiono sobre o tratamento de dor, pois trata-se de um paciente de 13 anos com várias lesões de coluna e doença articular degenerativa. “ Olha doutora, vou ser sincera, parei há algum tempo, coitado, tomando aqueles remédios...e mais, não vou levá-lo a nenhum veterinário, só liguei pra saber qual remédio posso dar pra ele.”
Minha formação acadêmica e meu código de ética não permitem que eu julgue ninguém, mas neste caso abri uma exceção. Espero que esta pessoa jamais sinta dor em toda a sua vida, ainda que envelheça. Esta pessoa espalha ao vento que é protetora e que faz de tudo por seu cão.Não sei se o termo correto é moda, mas enfim, o tema maus tratos está em alta, porém, quando os animais envelhecem, até mesmo o mais protetor e defensor dos animais pode negligenciar seu sofrimento, ignorar sua dor, nem os médicos veterinários estão preparados para promoverem o alívio e manter a dignidade e qualidade de vida de seus pacientes idosos.Uma das principais causas de negligencia é cultural. Quem nunca ouviu dizer que é normal sentir dor na velhice? Que algumas doenças se desenvolverão mesmo em idosos? Mentira! Sentir dor não é normal!
Dor é um sinal, aliás é considerada como o 5º sinal vital, porém, a dor crônica, comum em idosos, é considerada doença é deve ser tratada. Suas consequências envolvem doenças cardíacas, hepáticas, renais e respiratórias.Negligenciar a dor é uma forma de maus tratos, compromete a qualidade de vida e desencadeia ou agrava outras doenças. Isso sem mencionar o sofrimento do idoso que em geral, sofre calado. Sim, animais idosos, são bem semelhantes aos humanos idosos, raramente se queixam de dor. Mais um motivo para que a dor seja ignorada, o portador de dor crônica não a manifesta, mas ainda assim emite sinais, que nem sempre o proprietário consegue notar.Animais com dor, tendem a comer menos, permanecer mais tempo deitados, não demonstram a mesma felicidade de antes com a chegada do dono, podem emitir sons diferentes (resmungam, choram) à noite, podem para de defecar e urinar; cães de grande porte, podem demonstrar agressividade, alteração de comportamento. Se nenhuma dessas alterações forem notadas, não significa que a dor não esteja presente.
Então o que fazer?
Muito simples! Faça uma comparação com o sofrimento humano: tem câncer? Segundo humanos portadores de câncer, a dor está presente desde o primeiro instante em que se instala. Então, animais portadores de câncer também sentem dor, merecem e necessitam de tratamento, não apenas para a cura do câncer, mas para alívio da dor. Em casos de câncer incurável, inoperável, além da dor fisiológica, há ainda a dor psicológica, solitária, imensurável, incapaz até de ser descrita por pacientes humanos doentes.
Hérnia de disco, bico de papagaio, também são doenças comuns aos animais domésticos, muitos perdem a mobilidade devido as dores e nem mesmo assim, são tratados. Doenças degenerativas como artrose, são bastante comuns em cães idosos. Em todos os casos, a dor é uma companheira inseparável.
Muitas vezes quando o animal recebe um diagnóstico correto e um tratamento é proposto, muitos proprietários acham que é frescura, um exagero, desnecessário.Não tratar a dor é desumano, desleal; negligenciar a dor de seu próprio companheiro de estimação é imoral e deveria ser ilegal também, se enquadrando à leis de maus tratos.A dor é individual, é cultural, portanto uns podem ser mais tolerantes a dor do que outros. Um bom exemplo disso, são as mulheres orientais, elas entram lindas e bem arrumadas na maternidade, calmas e tranquilas. Ao exame, o médico constata que já está em trabalho de parto e a criança está prestes a nascer. Já as brasileiras, chegam à maternidade carregadas por seus companheiros, empurradas em cadeiras de rodas, gritando, mas, ao exame, o médico constata que não passa de um alarme falso, nada de criança. Culturalmente as mulheres orientais não expressam seus sentimentos, são educadas assim. Culturalmente as brasileiras são bem expressivas. Mas quem sente mais dor? Nem sempre é possível avaliar, mas neste caso é possível afirmar que é a mulher oriental.
Cuide, observe, não permita que seu companheiro se sinta só, abandonado, no momento da vida em que já não se sente capaz de cuidar de sua família humana, na fase da vida em que mais necessita de cuidados. A dor mata lentamente, de forma cruel e assustadora.
Como diz o médico veterinário Pablo Otero, a única dor fácil de suportar é a dor alheia.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Câncer de Mama: Ocorrência comum entre cadelas idosas - Por Vilma Costa
Esta semana atendi uma paciente com neoplasia mamária em estágio bastante avançado e em condições desumanas, revoltante. A acompanhante relatou que a cadela de 11 anos apresenta tumor nas mamas há mais de um ano e que nunca foi tratada.
Paciente não se alimentava, não saía do mesmo lugar há dias. O proprietário estava decido pela eutanásia, mais eu não. Pelo menos até realizar o exame físico e constatar que o tumor já havia ulcerado e a miíase já estava “matando”a pobre cadela.
Quando apliquei o analgésico, sua dor foi aliviada e imediatamente ela urinou durante alguns minutos. A acompanhante estranhou e afirmou que há dias ela não urinava, então informei que ela não urinava por sentir muita dor.
A acompanhante chorou, os funcionários se emocionaram, mas não havia mais nada a ser feito se não a eutanásia. Como médica me sinto incapaz por não poder fazer nada, como ser humana, me sinto indignada por receber um animal nestas condições.
Para evitar que estas situações ocorram e que tantas cadelas sofram assim como minha paciente sofreu por mais de um ano é que escrevo este artigo agora.
O câncer de mama é uma das principais causas de cirurgias e eutanásias em cadelas com mais de cinco anos. Na maioria dos casos as fêmeas são inteiras, ou seja, não foram castradas, ou foram castradas tardiamente.
Muitos autores defendem e minha experiência de quase vinte anos comprova, que castrar fêmeas antes do primeiro cio, previne o câncer de mama.
Oriento todos os proprietários que castrem suas fêmeas logo após o encerramento do primeiro ciclo de vacinas, pois quem não é criador não tem motivos para expor a fêmea aos riscos de uma gestação.
Muitos proprietários relutam em castrar, temendo os riscos da anestesia, mas insisto, os riscos são muito menores em animais jovens e saudáveis. Animais idosos e ainda portadores de câncer apresentam limitações e podem sofrer complicações durante e após a cirurgia. Prevenir ainda é o melhor remédio.
Relatos de pacientes humanos com tumor de mama, deixam claro que a dor se faz presente desde o início da doença. Mesmo quando um tumor é bem pequeno como o da foto, o animal já sofre com dores. A neoplasia mamária pode causar metástase pulmonar, ocasionando insuficiência respiratória.
Quando não operado, o tumor cresce e seu crescimento pode ser bem rápido, pode ulcerar facilitando o acesso de miíase (bicheira) o que aumenta o sofrimento do animal e complica ainda mais o quadro.
Cabe ao proprietário, ser responsável e castrar seus animais ainda jovens. Para aqueles que não optaram pela prevenção, obrigatoriamente, devem fazer inspeção das mamas e ao perceber qualquer alteração, mesmo que seja um pequeno nódulo e que não esteja exatamente na mama, um médico veterinário deve ser procurado.
A dor deve ser tratada imediatamente, até que a cirurgia seja realizada e após o procedimento cirúrgico também. Animais idosos não demonstram sentir dor, geralmente a dor é negligenciada e o tratamento não é feito, com isso estas cadelas desenvolvem doenças cardíacas e até renais.
Não é raro atender cadelas em condições desumanas, com tumor já ulcerado com presença de miíase que por vezes já invadiram a cavidade abdomninal, que há dias ou semanas não se alimentam, não se movimentam e também não recebem cuidados mínimos de higiene. Em muitos casos o mais digno a ser feito pelo animal é a eutanásia, para alívio da dor e do sofrimento.
Jamais deve se permitir que um tumor chegue a este estágio. A dor passa a ser um fator limitante para a vida do paciente, às vezes mais até do que o próprio tumor, mais do que o câncer.
Para que nossas idosas tenham vida digna, devem receber cuidados adequados desde filhotes e o principal, neste caso é a castração antes do primeiro cio. O uso de injeções anti concepcionais devem ser evitadas pois seu uso indiscriminado pode causar infecção uterina e neoplasia mamária.
Seja um proprietário responsável, ofereça alimentos saudáveis, vacine e castre seus animais. Desta forma garantirá uma velhice saudável e feliz.
domingo, 23 de março de 2014
Cuidado! Produtos sem rótulo podem colocar em risco a vida do seu animal de estimação - Por Vilma Costa
Esta semana atendi um filhote de 3 meses que deu entrada em meu consultório apresentando convulsões. O proprietário relatou que o mesmo estava normal antes de aplicar um produto contra pulgas e carrapatos que ele adquiriu em um pet shop. Realizei o atendimento de emergência e solicitei que o proprietário fosse em casa buscar a embalagem do produto. Na embalagem, um frasco utilizado em amostras grátis de perfumes, havia apenas a informação de que havia fipronil, indicado para cães entre 15 e 30 kg válido até 2015. Nenhuma informação sobre o fabricante, efeitos colaterais, nada.
O filhote pesava 1,5 kg, mas o atendente, disse que não havia problema, bastava utilizar uma quantidade pequena e nada de ruim aconteceria. Por sorte, o animal sobreviveu, os donos estavam em casa e tiveram tempo para procurar atendimento adequado.
Há dois anos, um outro filhote, não teve a mesma sorte. Foi atendido no balcão de um pet shop, por uma pessoa desqualificada que aplicou ivermectina para tratar sarna que ele mesmo diagnosticou. Após aplicação o animal ficou cego e entrou em crise convulsiva, ficou internado três dias e faleceu.Os oportunistas se aproveitam de duas características das pessoas: falta de informação e achar que está levando alguma vantagem.
Algumas pessoas preferem este tipo de atendimento por entenderem que os médicos veterinários apenas querem seu dinheiro, quando na verdade, os práticos é que desejam apenas o dinheiro das pessoas. Nós, médicos veterinários, trabalhamos para manutenção e restabelecimento da saúde dos animais, mas precisamos sobreviver, por isso cobramos por nossas consultas. Pensar neste tipo de economia é expor seu animal ao risco de morte. Somente um médico veterinário tem condições e conhecimento para diagnosticar e tratar doenças. Realizo vários atendimentos de animais intoxicados por seus próprios donos, dentro de casa, devido ao uso de parasiticidas não indicados para raça ou para o peso, em muitos casos, os donos aplicam no corpo do animal, venenos que tem indicação apenas para uso ambiental, ou seja, apenas para passar no piso.
Nem todos sobrevivem, mas quem vendeu e ensinou a utilizar assim, encorajou o dono a aplicar em seu cão, sobrevive, raramente são denunciados e um dos motivos principais é a certeza que a pessoa lesada tem, de só ter passado por isso, por achar que iria levar uma vantagem, iria economizar dinheiro. Injeções anticoncepcionais, medicamentos abortivos, vacinas, muitos leigos estão negociando e aplicando estes produtos nos balcões dos pet shops indiscriminadamente, sem nenhuma fiscalização ou punição.
Os proprietários que, na grande maioria, são leigos, acreditam que estão promovendo o bem, descobrem que estam matando aos poucos ou expondo ao risco de morte, quando procuram um médico veterinário e recebem o diagnóstico de neoplasia mamária (tumor de mama), das cadelas que receberam injeções anticoncepcionais ao longo da vida; ao presenciarem parto prematuro ou nascimento de filhotes deformados ou natimortos, em cadelas que receberam aplicações de medicamentos abortivos pós cobertura (cruza); ao receberem o diagnóstico de virose, em animais que receberam vacinas contra estas viroses.
Fica o alerta! Procure sempre atendimento especializado, não confie a saúde do seu companheiro a uma pessoa sem qualificação e conhecimento técnico. Pague sim por este atendimento, valorize o profissional, ele é responsável pela saúde do seu animal tanto quanto você.
domingo, 16 de março de 2014
Por Vilma Costa: Tudo o que você precisa saber antes de adquirir um animal de estimação -
Nos últimos 20 anos tenho observado pessoas cometendo os mesmos erros, prejudicando a harmonia no lar, entre a família, adquirindo um problema, causando danos, por vezes irreversíveis aos animais que foram equivocadamente adotados. Defendo que tudo na vida deva ser planejado, ter um animal, não é como ter um bichinho de pelúcia. Não vou julgar aqui, quem compra um animal para dar de presente, mas condeno tal atitude irresponsável. O que observo é que muitas pessoas trilham no caminho oposto: primeiro adotam o animal (compram, ganham, levam pra casa aquele que encontraram na rua ou em uma ong, feira de adoção), depois vão pesquisar sobre as necessidades dele, ou pior, só buscam por orientação, quando este adoece e já tentou tudo o que os leigos disseram que deveria fazer para tratá-lo em caso de doença.
É necessário saber qual a expectativa de vida, comportamento, hábito alimentar, espaço e cuidados especiais. Uma pergunta precisa de resposta: O animal corresponde às minhas expectativas? Outra questão muito importante: será que sou capaz, tenho condições emocionais e financeiras para mantê-lo em casa?
Erros fatais mais comuns:
Manter felinos em ambientes sem telas de proteção, sem água com movimentação. É um risco à saúde e à vida dos gatos saírem às ruas, às casas vizinhas, pois podem se envolverem em brigas com outros felinos, serem envenenados e mortos por pessoas irracionais. Felinos desconfiam de água parada, evitam a ingestão, o que pode causar danos renais e ao sistema urinário, devido ao alto teor proteico das rações.
Comprar um pinscher e esperar que seja um cão de companhia para crianças, quando na verdade, suas principais características é estar sempre alerta e ser um mini cão de guarda. Eles passam a não se entender, até que o cão morde a criança e então é entregue à adoção.
Ignorar o fato de que cães filhotes choram muito nas primeiras noites, é sem dúvida uma das maiores causas de abandono já nos primeiros dias. Por mais bizarro que possa parecer, descobrir que o animal urina e defeca, às vezes é insuportável para muitos.
Para os fabricantes de gaiolas, os pássaros são seres saltitantes e não voadores. As gaiolas apresentam espaço tão reduzido que é possível apenas saltar de um poleiro a outro, bater asas, voar, nem pensar. Proprietários tendem a relutar quanto a necessidade de higiene diária de comedouros e bebedouros. É comum os distúrbios comportamentais e doenças relacionadas ao estresse e falta de higiene nas gaiolas. A vítima é sempre o animal e em casos de animais silvestres, os danos podem afetar não apenas uma espécie, mas todo o ciclo natural que depende dele para gerar novas vidas ou manter aquelas que já existam.
Quantas árvores dependem de pássaros que se alimentam de seus frutos para levarem suas sementes para que estas possam germinar e reflorestar outras áreas? Quantos outros pássaros e mamíferos, como primatas, dependem destas árvores para conseguirem abrigo, moradia e alimentação?
É importante refletir sobre isto antes de comprar um animal silvestre.
Se pensarmos que toda forma de vida teve origem no oceano, nas águas, é preciso pensar nos peixes e outros animais aquáticos. O aruanã, é um bom exemplo, os pais “guardam” os alevinos (filhotes) dentro da boca para protegê-los, para capturar os filhotes os pais são mortos atingidos por pauladas na cabeça, para que abram a boca e não ingiram os filhotes.
A grande maioria dos peixes de água salgada não são criados em cativeiro, muitos são capturados utilizando mercúrio em quantidades que podem ser letais ao ecossistema marinho.
Sou defensora do aquariofilismo hobista e profissional, pois incentiva a criação de espécies em cativeiro, como já é a maioria dos animais de água doce comercializados no mundo inteiro. Além de preservar espécies que poderiam se extinguir, se não fosse esta prática.
Em geral, os aquariofilistas, são os mais bem informados sobre as espécies que mantém e são aqueles que mais lutam por melhorias nas condições de vida em cativeiro.No caso de cães e gatos, estes sofrem tanto com os excessos quanto com o descaso. São os extremos que mais prejudicam a saúde física e mental destes animais. Muitos são criados como crianças, tomam banhos demais, ingerem alimentos para consumo humano e com isso desenvolvem doenças de pele, gastrointestinais, cardiopatias, nefropatias, diabetes, doenças periodontais, entre outras.Enquanto outros não tem acesso aos cuidados básicos, como alimentação, higiene e vacinação.
Todos têm direito de desfrutar da companhia de animais, muitos são os benefícios tanto para os humanos quanto para os animais quando ambos vivem juntos. É necessário apenas encontrar o equilíbrio e ter bom senso, respeitar as características da espécie e nunca esquecer que bicho deve ter vida de bicho. Bicho não é gente!
segunda-feira, 10 de março de 2014
Infestação por carrapatos: Um risco à vida dos cães - Por Vilma Costa
É importante tratar o ambiente para evitar novas infestações por carrapatos, já que parte do ciclo de vida desses parasitas ocorre no ambiente.
Nos últimos meses tenho atendido vários cães com os mesmos sintomas: apatia, falta de apetite, manchas vermelhas pelo corpo, edema de membros, presença de sangue na urina, vômito. A maioria não apresenta todos os sintomas, mas todos tem algo em comum: estão ou já estiveram infestados por carrapatos. Os carrapatos podem transmitir erliquiose, babesiose e hepatozoonose. Popularmente são chamadas de doença do carrapato. Se não tratadas, podem causar a morte do animal.
A transmissão ocorre através da saliva do carrapato, enquanto o parasita se alimenta do sangue dos cães. O hemoparasita transmitido pelo carrapato causa ruptura das hemácias, causando anemia, que é responsável pelos sintomas, assim como por níveis extremamente baixos de plaquetas. Nem sempre o hemoparasita é identificado através do exame de sangue, pois pode não estar naquela amostra o que não prova que ele não esteja presente nas hemácias do animal.
Em geral, o tratamento é baseado no histórico do animal e nos sintomas. Em muitos casos é necessário realizar transfusão sanguínea. A doença tem início silencioso, por isso o proprietário demora a perceber que o animal está doente e quando chega ao consultório, o quadro é grave. A doença tem cura, mas a prevenção ainda é o melhor remédio. Não deixe de utilizar antiparasitários nos cães. Ao perceber infestação por carrapatos, leve-o ao veterinário para que seja realizado exame físico e clinico. Quanto antes for feito o diagnóstico maiores são as chances de cura e menor o sofrimento do animal e de toda família.
Fique atento o ano todo, não se trata de uma doença de verão. Embora sua ocorrência seja mais expressiva nesta estação, pode ocorrer o ano todo.
domingo, 2 de março de 2014
Conheçam a Vilma Costa a mais nova colaboradora do blog JPE
A Origem por Vilma Costa
Pensei como deveria ser minha primeira publicação no blog e então decidi começar pelo início. Sou bióloga e médica veterinária, às vezes as pessoas que me conhecem pensam que trabalhar com animais é um negócio, comércio, mas na verdade, não é isso.Nasci e fui criada junto à natureza, aprendi desde criança a respeitar os animais e toda forma de vida. Ao invés de brinquedos e brincadeiras convencionais, passei a infância cuidando, alimentando animais selvagens que se perdiam dos pais ou que caiam dos ninhos durante as chuvas fortes. Lembro de levar pra cama, filhotes de gambá para aquecê-los , de alimentá-los com mamadeira. Lembro também do quanto minha mãe se preocupava, mas meu pai sempre incentivou.
Quando tinha 12 anos de idade, a área que hoje é conhecida como Parque dos Príncipes, na época, o quintal da minha casa, foi cercado e incendiado. Me lembro dos insetos, borboletas, passarinhos, todos tentando fugir por cima do muro, lembro e me emociono até hoje, dos gritos de socorro em vão, dos animais que não podiam voar e morreram em chamas. Naquele dia, agradeci à Deus por ter levado meu pai um ano antes, pois ele não aguentaria, ouvir aqueles pedidos de socorro. Hoje, neste lugar há várias mansões e condomínios, algumas árvores, nada se assemelha com o que era, na minha infância.
Quando me formei no colégio, decidi estudar biologia, mas ainda não era suficiente, fui à Pernambuco estudar acidentes com tubarões e quando retornei, decidi cursar medicina veterinária.
Me formei e tenho certeza de que, onde quer que meu pai esteja ele está orgulhoso de mim. Minha principal missão hoje, é transmitir os valores que aprendi com meu pai: animal não pode ser entregue como um presente à alguém, é preciso ter respeito e conhecimento sobre os animais domésticos, exóticos e silvestres antes de adquirí-los .
Tenho certeza que ter um animal de estimação é de extrema importância para a formação do ser humano, mas jamais, pode ser um brinquedo nas mãos de uma criança, ou mal tratado, abandonado em um quintal. Pretendo utilizar este canal de comunicação para orientar as pessoas que possuem ou que pretendem adquirir um animal de estimação, esclarecendo dúvidas, compartilhando informações sobre saúde e bem estar animal, abordando prevenção à zoonozes, sempre priorizando a relação entre seres humanos e animais.
E para os amantes do aquarismo, hobistas ou profissionais, vou trazer informações e dicas para manutenção da saúde e da harmonia no aquário.




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