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domingo, 31 de julho de 2016

Stand up e Emagrecimento: Entrevista com Wagner Fernandes do canal Waguiadas






Zé Paulo - Para começar uma pergunta que vale um milhão de calorias negativas. Qual o “segredo” para emagrecer?


Wagner Fernandes - O segredo para emagrecer acho que é a força de vontade, porque não é nada fácil. Você abre mão daquilo sempre gostou e do que sempre lhe deu prazer, porém com o tempo percebemos que esse “prazer”não era realmente saudável e que uma alimentação melhor pode ser tão prazerosa quanto, hoje nesta nova fase da alimentação nunca mais senti a sensação de estufado que eu sempre tinha quando saia da mesa do almoço ou do jantar, você se levanta ainda com disposição e não com vontade de dormir 10 dias seguidos de tanto que comeu. 
 

Precisa lidar com preconceitos próprios e alheios.  Se privar de comer até chegar no seu objetivo e as vezes esse objetivo não chega no tempo que você quer. O principal desafio que eu enfrento até hoje e mesmo depois de mais de 3 anos de luta e ainda perco é a mente.  Ela é a vilã porque o estômago já não aguenta mais a porção de antigamente, mais na sua cabeça você ainda quer toda aquela comida. 

Então come verdura e legume pensando nas gordices e quando tem um dia do lixo, você realmente faz um lixo de comida.  Esta é a principal dificuldade que eu preciso vencer e que todos precisam que é a mente. Acredito que na hora que conseguir se conscientizar de que não precisa de 1 quilo de comida no almoço para se sentir bem, aí o resultado flui mais rápido.



 Zé Paulo - Quantos quilos você perdeu?


Wagner Fernandes - Foram 53 quilos, eu sempre fui gordo, nunca cheguei a ser magrinho nem por um instante, meu “ápice” foi 150 kg, mas consegui chegar em 98 kg, contrariando inclusive o último endócrino que eu passei, que me sugeriu a cirurgia bariátrica.  Segundo ele, eu não chegaria aos 110 quilos, ele ainda enfatizou que 110 é o máximo de peso que eu alcançaria mesmo com a bariátrica. Porém devido ao meu tipo físico endomorfo ( maior quantidade de gordura corporal), qualquer deslize é um prejuízo grande, então esse peso vive oscilando, seja por vacilo alimentar, ou por treinar mais pesado na musculação e etc, hoje estou com 101 quilos.




 Zé Paulo - Cite momentos marcantes (positivos e negativos) desta trajetória de emagrecimento.


Wagner Fernandes - Pontos negativos e positivos tenho vários, vamos começar com os positivos:


  • Hoje quando eu tenho que pegar trem, eu subo as escadas rápido de dois em dois degraus e chego no final pouco ofegante, antes, na metade morreria. 
  •  Uma coisa que todo gordo que emagrece um pouco faz e isso é fato é amarrar o tênis, cara eu fico tão feliz de conseguir isso, que coloco o pé em cima da pia.
  •   Tenho mais fôlego, hoje eu consigo correr direto sem parar por no mínimo 3 quilômetros e faço isso abaixo dos 25 minutos, uma alegria muito grande.
  •  As roupas, lembro de entrar em lojas e ouvir do vendedor:  . Não me leve a mal mais eu não tenho roupas do seu número, infelizmente me desculpe. Hoje eu chego na loja e os vendedores não me olham torto.
  •   E por último e não menos importante, tirar fotos, pode parecer algo besta, aliás todas as coisas acima podem parecer besta para as pessoas, mas a auto estima, melhora e muito depois que você perde o tanto de peso que eu perdi. Hoje em dia eu gosto de tirar fotos, coisa que antes de jeito nenhum eu fazia, o que é ruim pois não tenho muitas fotos de para fazer o antes e depois.

 

Já os negativos


  • Dores de cabeça e nervosismo que normalmente a baixa calórica causa. Quando você reduz muito e de forma errada o consumo de calorias seu corpo emite vários alertas, seja em forma de dores, ou alguns sintomas piores, como pressão baixar, visão turva e etc.

  •   Vivemos num mundo onde comer mal é moda, então quando você decide ser regrado, e quando eu digo regrado quero dizer que fiquei num estado de comprar balança para pesar o que eu iria comer, minha janta ainda é assim, a minha namorada Lisandra, me dá uma super força. Ela cozinha e armazena em marmitas, 100 gramas de vegetais e 100 gramas de proteínas (carne ou frango) e num nível desses você não consegue se alimentar direito na rua, não consegue elaborar um plano alimentar decente.  Pois se você esquece de levar algum dos alimentos, na rua não dá para substituir, no cliente que eu estou, quando vou de trem, ando por 20 minutos até a estação e vice e versa e nesse percurso não tenho nada disponível com baixa caloria e com bons nutrientes. Temos lanchonetes e pizzarias aos montes, fora os barzinhos, então se você quiser um hambúrguer ou um prato extremamente gorduroso, encontrará facilmente.

 
  • Ter de me afastar mesmo que inconsciente dos amigos e alguns familiares, veja ninguém é obrigado a fazer regime contigo, porém se está numa dieta rígida, como vai ao happy hour ? Como vai no churras dos amigos? Ou você não vai simples assim, ou vai e não come nada ou bem pouco e ai acaba sendo alvo de chacota, pois o churrasco está rolando e você lá com uma carne magra e bebendo agua.  No happy hour todo mundo com petiscos e você comendo um lanche integral. Isso é chato as vezes, porém se você tem um objetivo e quer realmente que dê certo, precisa passar e enfrentar isso. Aqueles que realmente se importam com você irão entender.

  •   Como eu citei acima, até o entendimento chegar nas pessoas que você ama, gera um desconforto, porque veja ninguém está acostumado com a sua atual situação e como eu disse ninguém é obrigado a fazer regime com você. Então as vezes eu não podia sair ou não queria porque a minha mente ainda tem 150 quilos e minha namorada achava ruim e gerava desconforto, isso com namorada ou filhos e etc.  Hoje é diferente, todos entendem e conseguem compartilhar, muitos dos meus novos hábitos foram incorporados por eles e com isso eles ainda não precisam fazer regime comigo, mais sabe que a minha comida é diferente e isso hoje não interfere em nada a rotina da casa.

 



Zé Paulo - Fale mais sobre a “cabeça de gordo”


Wagner Fernandes - O cérebro de gordo é a pior luta que você tem para emagrecer, pois fica fácil um deslize, tentações temos em todos os momentos e em todos os lugares. Devíamos primeiro treinar a mente e depois o corpo para resultados mais duradouros. Estou convencido que a falta de informação, aliada a uma mente desequilibrada geram todos os resultados negativos de um emagrecimento, pois temos vários alimentos que são classificados como naturais ou fitness quando na verdade não são. 


Zé Paulo - Cite algum exemplo.


Wagner Fernandes - Dizem que precisamos comer queijo branco ou cottage que é melhor e menos calórico, porém se estudarmos vamos descobrir que quanto mais amarelo for o queijo menos carboidrato ele tem, pois é mais rico em gordura, então, você pode economizar e utilizar uma fatia de queijo amarelo que não vai prejudicar nem a quantidade de calorias e nem aumentar a produção de insulina no seu corpo, entre outras coisas que fazem a diferença na alimentação.

  

 Zé Paulo - Mudando de assunto, então agora você entrou no mundo do stand up comedy? Quando tomou esta decisão? Eu me recordo que desde da oitava série você fazia até o "defunto rir” no velório (risos).


Wagner Fernandes - Essa do defunto rir no velório é um elogio seu né Paulo (risos).  Realmente eu sempre tive facilidade para fazer as pessoas rirem e sempre foi de coisas na hora, enquanto outros faziam rir com piadas que decoravam, eu nunca fui bom em decorar nada. Então pegava um assunto e dali fazia algumas coisas, saia na hora, a galera ria bastante e eu sempre levava o nome de besta (risos). Então desde aquela época eu já trabalhava no modelo stand up sem saber. 

Perdi muito tempo, pois eu sou extremamente tímido. Mas hoje com a auto estima em alta (riso) consigo disfarçar um pouco a timidez e até ouço as pessoas duvidando que eu sou tímido. Mas realmente eu sou e por isso eu perco o “time” das coisas, mais como dizem que nunca é tarde para começar, eu resolvi investir fazendo alguns textos e gravando com a ajuda do Guilherme que é o sobrinho da Lisandra minha namorada.  Ele atua como produtor, definindo cenários, posturas, etc.  Ele criou a conta no youtube e é o responsável pela edição dos vídeos, o moleque é muito competente.  Inclusive segue o link (inserir url do canal) para os leitores (as) do blog acessarem, likes serão bem-vindos (risos)

 

 

Zé Paulo -  Fale do projeto Waguiadas


Wagner Fernandes - O projeto é uma junção de Wagner meu nome e piadas. Original não?  (risos).  Já tinha o rascunho dele há muito tempo, mas nunca tive coragem de tirar do papel.   O Guilherme criou e mantém ativo o canal do Youtube (http://bit.ly/2aTTCFA), além de uma página no Facebook (https://www.facebook.com/waguiadas/)   ele que fez tudo isso acontecer.

 

 Zé Paulo -  Como vocês estão divulgando?


Wagner Fernandes - A divulgação está basicamente no boca a boca.  Na nossa página do Facebook postamos as novidades e com isso pedimos aos amigos para compartilharem em suas redes sociais. Também aceitamos sinais de fumaça (risos).

 

 Zé Paulo - Observando o comportamento da sociedade na atualidade, notamos uma certa patrulha pelo politicamente correto. Como fazer humor e superar o “mi mi mi”  da legião dos ofendidos?


Wagner Fernandes - Realmente hoje é bem difícil falar de humor, estou fazendo um vídeo agora sobre gordo eu e você sabemos muito bem o que é viver assim concorda?  Antigamente ouvíamos muito inclusive, piadas e tudo o mais sobre gordo. Não morremos, nem saímos por aí atirando em pessoas, porém hoje em dia, qualquer palavra a mais pode gerar processos ou uma repercussão negativa. Então para fazer um texto eu tenho que reler mais de 2 ou 3 vezes tomando cuidado com as palavras, porém, ao mesmo tempo, eu creio que o humor não pode ficar preso em estereótipos.


A liberdade de poder falar um palavrão ou mexer com algumas coisas que incomodam pessoas é o que faz rir, porém eu não gosto daquele tipo de humor que satiriza pessoas com mobilidade reduzida, mortes e acidentes de pessoas para fazer rir. Isso eu não curto. Gosto de brincar com coisas simples, por exemplo:


O gordo entra no cinema com 2 pacotes de pipocas jumbo e um copo de 3 litros de coca cola quando vai sentar o que acontece? Claro desajeitado derruba tudo na camisa e inclusive na camisa da pessoa do lado, porque para o gordo primeiro encontro é o caramba garanto a minha pipoca.Veja que eu estou tirando sarro de uma situação do gordo e não falando que ser gordo é um defeito ou ainda detalhando como é o gordo, digo estrutura física. Este tipo de humor eu odeio e jamais farei.

 

 Zé Paulo - Nossa rapaz me fez lembrar do tempo do colégio agora. Lembra?: "Gordo baleia saco de areia. João teta louca".  Era o inferno na terra (risos). Mas minha mãe não conhecia a palavra bullying. Mas isso é um tema para outra entrevista.  Valeu meu compadre.  Abraços

 

Wagner Fernandes - Valeu Zé Paulo, obrigado pela oportunidade de contar minha história e divulgar meu projeto. Abraços


segunda-feira, 2 de março de 2015

Zé entrevista o economista Paulo Rafael



Zé Paulo do Carmo - Por qual razão escolheu estudar economia?

Paulo Rafael - Sempre gostei de matemática e história, fiz alguns testes vocacionais e apontavam para Administração e Economia, antes havia me formado em Técnico em Contabilidade, e para minha surpresa a carga de matemática era muito aquém do que eu esperava, pesquisei muito sobre o curso antes do Vestibular, tanto pela Internet como com economistas, fora isso, na efervescência de querer “mudar” o Brasil e entender um pouco as mazelas e as disparidades sociais e econômicas no Brasil, decidi prestar vestibular para Ciências Econômicas.

Zé Paulo do Carmo - Qual sua opinião a situação econômica do Brasil?

Paulo Rafael - Os índices em sua maioria não são favoráveis, o Brasil cresce muito aquém do esperado, e é um crescimento a base de Gastos Governamentais e Consumo, que usa uma Política Econômica com diversos receituários questionáveis. A política monetária precisaria de reformas estruturais, de modo a não reprimir o consumo quando a inflação foge da meta estabelecida pela Autoridade Monetária, esta tem um componente de inércia e a tratam como inflação de demanda, aumentam a Selic para reprimir o consumo e “controlar” a Inflação, o que em minha opinião não é eficaz. Uma política fiscal expansionista que preza pelos Gastos do Governo e pagamento dos Juros da Divida Pública e na hora de reprimir Gastos, tem “ideias” de todos os tipos, exceto diminuir os Gastos do Governo. Fora isso, temos excesso de tributos, serviços públicos ruins, um aparelhamento do Estado cada vez maior e totalmente desnecessário, bem como, cartéis “invisíveis” da indústria que majoram os preços dos produtos, com a premissa que o Custo Brasil é muito alto, sendo que o Mark-Up destas é muito alto. Além é claro da Ilusão Monetária presente na mente da população de que temos dinheiro, que o crédito é barato, que temos que gastar o mais rápido possível, e um Marketing muito bom para fazer com que as pessoas pensem primeiro em gastar e não em poupar.


Zé Paulo do Carmo - Focando num tópico citado em sua resposta.  O  aparelhamento do Estado gera ineficiência?

Paulo Rafael - Sim, gera ineficiência, isso é nítido quando analisamos aspectos simples da Economia Brasileira, podemos citar o caso da Telefonia no Brasil que era controlada diretamente pelo Governo, e depois da Privatização, o serviço melhorou consideravelmente, bem como, o acesso as linhas telefônicas, na década de 90 uma linha de telefone era vista como um Investimento, dado o alto valor de mercado. O Estado através de diversas regras, regimentos e trâmites permite que decisões simples demorem a ser tomadas, enquanto na iniciativa privada, se uma empresa não atender de forma no mínimo regular, o individuo procura a concorrente. Outro aspecto que poderíamos citar seria sobre a produção da Vale antes e depois da Privatização.

Zé Paulo do Carmo  - E a corrupção?

Paulo Rafael - Quanto a corrupção isso não é um fato que só acontece no Estado, infelizmente está enraizado na sociedade brasileira, e vimos muito disso também na Iniciativa Privada. A corrupção ou o tão aclamado e valorizado: “jeitinho brasileiro” está em todas as esferas da sociedade, bem como, na Economia através do Estado ou da Iniciativa Privada. Enquanto não houver uma legislação séria para coibir a Corrupção, ficaremos com a sensação de insegurança e de injustiça.

Zé Paulo do Carmo - Temos um Estado com uma tributação com padrões de países desenvolvidos e os serviços oferecidos estão aquém do nível aceitável. Existe alguma reforma tributária viável?

Paulo Rafael - Sim. Um dado simples é o Imposto de Renda que está defasado e onera ainda mais a classe média. Há muitos impostos e taxas e a arrecadação do Governo só cresce a cada ano. Há algumas propostas que são eleitoreiras como o Imposto único, isso me faz lembrar dos anais de Economia, quando tinham a ideia de tributar somente a terra, pois dali tudo era produzido. A tributação brasileira é progressiva, e ainda estamos com algumas políticas defasadas que vem desde o inicio do Século passado, alta tributação em produtos importados, isso faz com que o cidadão opte por comprar um produto nacional, mesmo que este tenha uma qualidade inferior ao estrangeiro, vale lembrar que os países orientais aproximadamente nos anos 60/70 decidiram não tributar os produtos vindos de fora, a ideia era fazer com que a Industria local acompanhasse a internacional, e hoje vimos a que esses países são Potência em produtos de alta tecnologia, enquanto no Brasil, muitos acreditavam que tal política traria muito desemprego, perda do poder de compra e etc. 
Acredito que de maneira gradual, o Governo deveria tomar diversas medidas para permitir que a os tributos fossem reduzidos, citei aqui o IR e o Imposto de Importação. Mas há vários outros impostos que de maneira direta ou indireta, encarecem os valores dos produtos bem como o de serviços. Falta vontade política para mudar. Até porque o interesse do Estado é arrecadar e aumentar e ou manter os Gastos do Governo, e como o Estado só arrecada através da Tributação, não acredito que tenham como estratégia alterar a carga tributária brasileira, podem até fazer pequenas políticas de incentivo para algum setor em especifico, mas uma Reforma Tributária profunda, isso infelizmente não é interessante aos Governantes. 

Zé Paulo do Carmo - Neste ano teremos a realização da Copa do Mundo no Brasil, uma das grandes promessas deste evento era o legado que seria deixado para as cidades sedes.  Teremos realmente este legado?  Aproveite e comente qual sua visão sobre a realização destes eventos em países não desenvolvidos.

Paulo Rafael - Fui contrário a ideia de sediar a Copa do Mundo desde o inicio, acho que o País deveria primeiro se preocupar com Educação, Saúde, Infraestrutura e combate a Corrupção entre outros. Usaram como base para a aprovação popular a questão da Infraestrutura, venderam a ideia de que com a Copa, a infraestrutura iria melhorar consideravelmente, iriam abrir novos postos de trabalho e o turismo traria muito retorno financeiro e visibilidade internacional, colocaram a Copa como uma “solução” para que o Brasil tivesse um crescimento econômico consistente e saudável, essa foi a idéia quando venderam para a população. Passado o tempo, vimos que a infraestrutura pouco mudou, a mobilidade urbana também não houve grandes alterações, vimos que as “Sedes” foram escolhidas por politicagem, pois cidades como Manaus, Pantanal, Brasília, não tem clubes de futebol na primeira divisão para suportar os “elefantes brancos”, bem como, diversas instalações da Copa, foram uma maneira de desviar recursos públicos que deveriam ser aplicados em áreas de maior necessidade. A Copa foi um erro desde o inicio, mas o Marketing inicial foi tão bem feito, que poucos analisaram os prós e contras de tal evento no Brasil. Quanto a Grandes Eventos Esportivos como Copa ou Olimpíadas em países sub-desenvolvidos, isso deve ser analisado criteriosamente em cada país, pois é um contexto que cada Nação deve analisar e inferir os prós e contras de eventos de tal magnitude.

Zé Paulo do Carmo - Você acredita na possibilidade que a realização da copa pode gerar impactos negativos ou positivos na eleição?

Paulo Rafael - Quem trouxe a Copa e as Olimpíadas para o Brasil? Todos sabemos a resposta. Agora uma outra pergunta, qual o impacto que isso tem gerado no “Pai” da idéia? Nulo. Não vejo a Copa como um fator determinante para a população média que é a que elege os governantes brasileiros, altere o cenário político. Quanto aos manifestantes ou os que tem um bom conhecimento político, acredito que farão um voto de protesto, que tanto pode ser por algo novo, mas que ao mesmo tempo que mantenha um certo conservadorismo, como podem na ausência de políticos que apresentem propostas significativas ou sérias, votarem em candidatos de apelo popular como Cantores, Atores, Comediantes e ex-jogadores de futebol. O impacto ainda é uma incógnita na população média brasileira, mas se fosse apostar, apostaria em impacto nulo no Núcleo da Política Brasileira, enquanto na margem vejo alguns novos nomes ou a solidificação de alguns que já tem uma ideologia que foge um pouco dos padrões da política nacional, tais como Bolsonaro e Feliciano. 


Zé Paulo do Carmo  - Nas ultimas semanas presenciamos um embate entre o PMDB e o PT. Segundo alguns analistas políticos o que está em jogo é uma disputa por cargos e uma tentativa peemedebista de frear a estratégia petista de aumentar o número de deputados nas próximas eleições.  Quais as suas observações sobre a relação entre o poder executivo e legislativo no âmbito federal?

Paulo Rafael - Relação de interesses de como e quando aumentar o poder. Todos os partidos políticos usam de diversas estratégias para poder angariar Ministérios, Secretarias e cargos em Estatais, é uma briga de partidos gigantes que tem como idéia a solidificação e manutenção de seus partidos no poder. O que causa um pouco de constrangimento é que os tais partidos não são antagônicos, não são diferentes na essência, um político ou outro destoa um pouco, de restante, é difícil você identificar uma ideologia num partido grande, parece que todos são iguais, a única diferença no âmbito federal é a velha briga entre PT e PSDB, sendo que em essência são muito parecidos, sendo que o PT ainda carrega uma áurea de Partido do Povo e o PSDB o Partido da Elite, o marketing do PT é poderoso e o anti-marketing solidifica ainda mais a marca. O que vou falar pode até ser utópico, mas gostaria que idéias fossem discutidas de forma a melhorar o País e não ficar presenciando essas brigas de manutenção no Poder. O Brasil é um país cheio de disparidades e ineficiências que deixam pra depois, o importante é se manter no poder, pouco importa se tem idéias ou iniciativas, o Brasil ficou em segundo plano, em primeiro plano é o Poder pelo Poder.

Zé Paulo do Carmo - Interessante a resposta poder pelo poder, me fez recordar de alguns debates de Marina em 2010. Aproveitando o tema, quais suas considerações sobre a aliança Campos e Marina?

Paulo Rafael -  Uma ótima aliança, Marina obteve 20 milhões de votos na eleição passada, esses votos em sua maioria de pessoas que estavam cansadas dos mesmos atores políticos (PSDB e PT), e gostariam de um outro projeto ou uma nova maneira de governar o Brasil. Campos ainda é desconhecido no cenário nacional, o eleitorado dele é do Nordeste e não há muitas informações sobre seu Governo, informações essas que serão levantadas assim que começar o horário político, já Marina tem um bom apelo, mas a imagem aparente de mulher simples e frágil, ainda é prejudicial em muitas esferas da sociedade. É uma terceira via para os possíveis presidenciáveis, mas se bem trabalhado, podem surpreender e irem para o segundo turno, visto que o PSDB por mais que seja um Partido Grande, é um partido que não tem organização e união, e não vejo o Aécio como um nome forte para o Estado de São Paulo e região Sulista. Acredito que a estratégia do PT será assemelhar a imagem de Campos a Collor e a de Marina em uma mulher frágil.

Zé Paulo do Carmo - Notamos que a internet é um ambiente propício para o debate, mas quando ocorre o acirramento de opiniões divergentes o debate foge da argumentação e entra campo da ofensa pessoal. Você consegue identificar algum fator que explique este evento?

Paulo Rafael - Há partidos políticos que pagam para que guerrilheiros virtuais entrem nos debates de forma a desviar o foco da discussão, e começar uma “Guerra” virtual. O debate fica pobre, pois o assunto principal acaba ficando em segundo plano. Isso já era muito comum em debate político, vimos muito disso na TV em época de eleição, Candidato A faz a pergunta para o B, e o B fala um monte de coisas sem nexo ou simplesmente ataca a honra de A, poucos lembram da pergunta, mas adoram ver a “briga” ou “discussão”, o assunto não importa mais, mas sim sobre a honra ou a conduta de A. Isso passou a ser praticado na Internet, por exemplo: quando vejo alguém a favor da Condenação dos Mensaleiros, não discutem se tinham provas ou não, com que base levantaram tais provas, se na quebra do sigilo bancário foi provado alguma coisa, se há provas de que houve aumento no Patrimônio do réu ou dos familiares, a discussão vai para a parte rasa, que quem é a favor da Condenação é do PSDB/DEM e etc e tal. Nota-se que alguns grupos são orientados a praticar tais estratégias. Infelizmente estamos presenciando no Brasil uma confusão de idéias, não se discute mais o “crime”, mas se ele é valido ou não, tal Partido fez, mas o outro fez também, como se um crime inocentasse outro. Dias atrás vi um argumento de que uma pessoa pobre tem o direito de roubar, pois foi privado dela o direito de ter aquilo, e por incrível que pareça apareceram vários adeptos a esse "argumento". 

Zé Paulo do Carmo - Alguns psicólogos comentam que a ausência de argumentação é a porta de entrada para a ofensa pessoal. Diante deste “oceano” de ignorância, é possível encontrar “ilhas livres” para um debate onde podemos discutir o Brasil?


Paulo Rafael - O melhor lugar de debate para mim continua sendo nas Universidades, há varias correntes de pensamento e um respeito maior entre os agentes. Um bom lugar para debater é com amigos e pessoas que tem um conhecimento político acima dos demais. Muitas pessoas que usam a internet para debater, muitas vezes fazem parte de grupos A ou B, e pra mim quem pensa em grupo, perde a individualidade. Encontrar um bom lugar na internet para debater política ou economia é um trabalho tão difícil que quem puder me indicar um, eu agradeço.


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Zé Paulo do Carmo, é economista e editor do blog JPE
Paulo Rafael, é economista.  

Ambos são formados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie 

Zé Paulo entrevista a veterinária e bióloga Vilma Costa


Zé Paulo -  Quando decidiu escolher o curso de medicina veterinária?

Vilma Costa - Havia acabado de retornar das férias em Pernambuco, tive muito tempo e muita calma para refletir sobre o futuro. O ano era 2009, dois anos antes havia feito uma denúncia de corrupção em uma escola e estava sendo ameaçada por alguns professores corruptos. Na verdade minha primeira formação é em História, depois fiz biologia e quando decidi fazer medicina veterinária, bom, foi para resolver um problema administrativo da Ararinha Azul e acabar com a alta rotatividade deste profissional em nosso consultório. Um fator muito importante, de muito peso em minha decisão, foi a desilusão com a educação no país. Antes, trabalhava como professora de cursinho pré-vestibular e ensino médio, além de trabalhar no Beto Carreiro e na Ararinha Azul como bióloga.


Zé Paulo -  Qual o papel da medicina veterinária na sociedade?

Vilma Costa - Que bom que perguntou, pois isto está sempre engasgado e é o que mais me sufoca. O médico veterinário não é apenas um médico de cães e gatos. Nosso papel é de extrema importância para a sociedade. É nosso dever zelar pelo bem estar  animal no campo ao longo de  sua vida até o abate. Somos responsáveis pela qualidade de todos os alimentos de origem animal que está na mesa da população no mundo todo (leite, carnes, ovos, embutidos). Há um médico veterinário em todos os setores da indústria alimentícia, desde a fazenda que cria os animais até o produto final sair da indústria para abastecer o comércio. No local onde estes produtos são comercializados é obrigatório a presença do veterinário para garantir a qualidade destes produtos e forma de armazenamento. O controle de zoonozes (doenças transmitidas de animais para humanos), barreiras sanitárias (para impedir que doenças ultrapassem as fronteiras). Esta profissão exige muita responsabilidade e comprometimento do profissional, além de muita disciplina para cumprir horas de estudo e de aprimoramento. A clínica de pequenos animais, embora seja responsável pela grande procura pelo curso, não é o foco principal. Na clínica, o objetivo é bem estar, saúde física e mental, do animal e do proprietário. Sinto falta de divulgação de campanhas de vacinação contra leptospirose e raiva em clinicas particulares. Nosso conselho, CRMV é quase invisível, inoperante e não temos força sindical. Somos profissionais que garante a saúde da população, antes mesmo de qualquer intervenção de um médico humano e não somos valorizados e muito menos reconhecidos pela sociedade que desconhece nossas habilidades e funções.   Antigamente era uma relação de trabalho, os cavalos eram domesticados para prestarem serviços, transportarem cargas, pessoas. Tinham papel importante na logística das tropas e nas conquistas de novos territórios. Os outros animais, basicamente serviam para fornecimento de alimento e couro. Depois, muitos passaram a ser utilizados nas pesquisas médicas e algumas espécies, como os gansos, tiveram seu período de glória, sendo oferecidos como presentes para realeza. As raças de cães foram sendo desenvolvidas e aprimoradas de acordo com a necessidade humana, os mastinos napolitanos, cães gigantes, eram utilizados na guerra para amedrontarem os oponentes que não os reconheciam como cães e sim como monstros, feras. Os cães pastores, utilizados para agrupar os rebanhos, os labradores como cães guias.  Agora, nenhuma espécie foi e é tão injustiçada e perseguida quanto os gatos, que já foram considerados como demoníacos, bruxos e mais recentemente como um risco à saúde da gestante e do bebê. Vitima da ignorância, inclusive de médicos humanos que insistem em afirmar que felinos transmitem toxoplasmose e orientam suas pacientes a se livrarem dos animais. Um absurdo.




Zé Paulo - Você consegue perceber a evolução da importância dos  animais de estimação na família?

Vilma Costa - A família mudou, hoje não é raro ter um animal de estimação ocupando o lugar de um filho que o casal não pretende ter; o lugar de um pai ou uma mãe que já partiu, um parceiro que ainda não surgiu; para preencher um vazio, para quebrar o silêncio em casa. Animais podem auxiliar no tratamento de doenças como a depressão; na recuperação de pacientes internados; estimular crianças que tem dificuldades para falar, caminhar, interagir e  brincar. Alcançaram o status de membros das famílias, os irmãos mais novos, os filhos caçulas e em muitos casos, o único ouvinte, a única companhia fiel e sincera.


Zé Paulo - Qual sua visão sobre as sociedades protetoras dos animais?

Vilma Costa - Penso que as sociedades protetoras dos animais secam gelo, pois tentam tratar a consequência e não a causa. Conheci de perto e ingenuamente fiz parte de uma ONG, muito conhecida, bastante presente na mídia, mas que não fazia nada além de arrecadar dinheiro e acumular animais. 
Muitos dos presidentes dessas instituições tem acesso aos governantes e não fazem uso de sua voz para tentar mudar a causa de base, a doença primária, que faz com que tantos animais sejam abandonados nas ruas. Não utilizam a voz, nem ao menos para mobilizar a sociedade e chamar a atenção para o problema que é de saúde pública e animal.

Os animais domésticos  são vistos pela legislação brasileira como um bem e não como um incapaz, já que é incapaz de sobreviver sem um humano, por isso não tem proteção legal efetiva. De que adianta resgatar um animal se ao mesmo tempo tantos outros estão sendo abandonados? Não seria mais efetivo educar? Alertar sobre os riscos à saúde pública ao invés de se utilizar apenas o apelo afetivo? Penso que é necessário realizar campanhas de castração nas periferias e tenho certeza de que não há solução sem educação.Pode ser um trabalho bonito, árduo, porém sem efeitos para a espécie e para o problema. Resolve-se um problema do indivíduo, não do coletivo.


Zé Paulo - O que fazer antes de decidir ter um animal de estimação?

Vilma Costa - Conhecimento é a chave, a arma mais poderosa contra o abandono. Conhecer as características do animal antes de adquirir, se conhecer, se questionar, ser responsável.
Saber qual expectativa de vida e ter certeza de que será responsável por ela. Pesquisar sobre hábitos alimentares, comportamentais, se o animal vive bem sozinho ou se necessita de um companheiro, se vive bem em cativeiro, como é a adaptação no novo lar. Pesquisar sobre custos de manutenção: vacinas, alimentação, moradia, necessidades especiais, como utilização de protetor solar para algumas raças de cães. É como ter um filho, porém, jamais vai se decepcionar, pois um cão fará sempre o que for possível para te agradar. Ainda que se esqueça de alimentá-lo, que chegue tarde, ele estará sempre a sua espera e feliz ao rever o amigo humano.

Quer ter cores na vida? Amar e ser correspondido? Não se decepcionar? Adote um animal e nunca, jamais o desrespeite.


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Zé Paulo é economista e editor do blog JPE
Vilma Costa é veterinária / bióloga e assina a coluna Biologia e Veterinária do Blog JPE

sábado, 12 de julho de 2014

Um bate papo sobre responsabilidade social. Entrevista com Alexandre Gomes e Derci Santos









Zé Paulo – É possível verificar através da mídia um número maior de empresas que colaboram  com projetos de responsabilidade social. Qual a opinião de vocês sobre este movimento?

Dercy – Acho fantástico, esta é uma tendência que ganha força a cada dia , cada vez mais empresas promovendo, participando e principalmente ajudando nos projetos sociais diversos

Alexandre – Esta havendo de certo modo uma conscientização das empresas, das sociedades e quem sai ganhando com isso são todas as partes envolvidas.


Zé Paulo  - Vocês consideram relevante a divulgação das ações sociais desenvolvidas por estas empresas?  

Dercy – Sim, muito relevante, quanto o maior numero de pessoas envolvidas melhor, as informações divulgadas sempre ajudam, não ficam só dentro das empresas, elas se propagam.

Alexandre – Sem duvida, cada ação divulgada acaba servindo de exemplo, tanto para os colaboradores da empresa como para as demais empresas que acompanham.

Zé Paulo - Falem um pouco sobre projeto social AMAMOS..

Dercy – Na verdade faço muito pouco la dentro, minha ajuda  maior é aqui fora, onde tento de todas as formas ajudar e angariar fundos, para  organizar campanhas tais como:  do agasalho, do leite, feijoada, bingo etc


Alexandre – José, cada momento que ajudo é como se fosse um momento único, porém já fui, mas ativo na Amamos trabalhei como voluntário onde dava aulas de reforço escolar para as crianças que necessitavam, era muito bacana, quem aprendia na verdade era os dois lados, eu aprendi muito com eles.Teve um tempo que eu controlava um caixinha ( Jun 2009 à Dez 2012 ) que era formado pela contribuição quinzenal no valor de R$ 10,00 de alguns colegas de trabalho, com essa caixinha compramos fraldas, leite, sucos, refrigerantes e salgados para os bingos,  compramos 2 ventiladores grandes, um painel de parede para 80 fotos, um aparelho de fax entre outras coisas, mas a maior aquisição na minha opinião foi a de um carro buffet em Out 2010 e que está funcionando muito bem até hoje. Antes principalmente na época de inverno era bem delicado, as crianças que chegavam da escola por volta das 12:30hs a comida já não estava quente, esfriava muito rápido  e mesmo assim era servida.. Hoje vou pelo ao menos 2 vezes por mês lá, contribuo com todas campanhas, sempre vejo se eles precisam de alguma coisa, mas é muito, muito pouco a minha participação, sinto falta de poder ajudar mais.

Zé Paulo – Qual a sensação pessoal ao contribuir com este projeto?

Dercy – Pra mim é fundamental, inclusive quando me aposentar irei dedicar mais, não tem dinheiro que pague, não só trabalhar na Amamos mas trabalhos voluntários em geral como também a campanha de doação de sangue a cada 03 meses, aulas de inglês para pessoas de baixa renda,  acho que todas as pessoas conseguiriam ajudar pois sempre existe alguma coisa que podemos fazer, é só querer.

Alexandre – José, quando você faz um bem, não importando a quem é muito gratificante, ainda mais quando é para uma criança inocente, que não pediu e não tem culpa de estar ali.

Zé Paulo - E o poder público apoia a AMAMOS?

Dercy – Muito triste ter que falar neste assunto, a ajuda vem, mas não como deveria, o valor por criança é irrisório, menos da metade do valor da ajuda a um presidiário, os prazos não são cumpridos, os atrasos são demasiados e constantes, praticamente não temos nenhuma isenção sobre o pagamento de impostos e taxas.

Alexandre – É muito difícil falarmos sobre poder publico, sabemos que hoje 11/07 não foi repassado os valores desde Fev’14, sabemos que tem diretores que fizeram empréstimos bancários ( pessoal ) para honrar a folha de pagamento deste mês. Sabemos também que tramita em Brasília, desde 2011, a tentativa da concessão da declaração de utilidade publica federal que é emitida pela CNAS ( Conselho Nacional de Assistência Social ), essa declaração é de extrema importância para a Amamos, pois com ela a entidade poderá a receber doações tanto de pessoa física como jurídica e quem doar terá o incentivo de abater no imposto de renda, imagine o quanto é importante para a esta entidade.

Zé Paulo - E para os leitores (as) que desejam colaborar, como podem  ajudar a AMAMOS?

Alexandre – José, será uma imensa satisfação, toda ajuda será bem vinda, ajuda financeira, ajuda com mantimentos , uma assessoria jurídica principalmente para que a Amamos possa adquirir o quanto antes a declaração de utilidade publica federal e principalmente ajuda fraternal, um abraço fraterno é muito importante tanto para as crianças como para as pessoas que cuidam diretamente delas.
Quem quiser ajudar , por gentileza, entre em contato com a Eliane ou Izildinha pelos telefone : (011) 3601-3658 ou (011) 3601-1031

Obrigado.


 Conheça a AMAMOS http://www.amamos.org.br/ 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Zé Paulo entrevista a ativista dos direitos dos animais Shaiane Novais


Zé Paulo - Este amor pelos animais começou quando?

Shaiane  Novais -  Primeiramente gostaria muito de agradecer a oportunidade de estar em seu blog. Acho que o meu amor pelos animais, veio desde pequenina. Desde novinha morava em uma Usina, onde o abandono sempre foi uma coisa vista como "normal", eram vários animais abandonados. Recordo-me bem que com cinco anos de idade, meu pai chegou com uma vira-latinha em casa, em uma caixinha, a mãe havia morrido e ele havia pegado a filhotinha para cuidar. Esse foi o meu primeiro exemplo, e desde então comecei a alimentar os animais que ficavam na Usina, mas sem compreender o que aqueles animais faziam ali, que no momento, para mim parecia normal.

Zé Paulo - Em qual momento decidiu se engajar na luta pelos direitos deles?

Shaiane  Novais - Isso foi em torno dos meus 19 anos. Aos ver tantos animais abandonados em minha cidade, decidi tentar agir de alguma forma. Eu, uma amiga e minha irmã, montamos um projeto que de inicio não saiu do papel. Logo após, ajudamos uma ONG em nossa cidade. Em 2007 fui a um seminário do Projeto Focinhos Gelados, que me abriu a mente completamente para focarmos na educação, que a meu ver hoje, é a única forma de solucionarmos todos os problemas de nosso mundo de uma forma geral. Quando digo isso, muita gente me pergunta se eu não dou importância ao resgate dos animais, e digo que sim, tanto que eu ajudo os animais resgatando e auxiliando quem resgata. O problema é o comodismo da população. Vou dar um exemplo prático para vocês entenderem. A um tempo atrás, recebi uma ligação de uma mulher, e ela solicitava que eu pegasse toda a ninhada da cachorra dela. Expliquei a situação e informei que não fazíamos resgates de animais que tinham donos, e então ela me informou que estaria jogando os filhotes na rua, pois ai eles seriam tratados como abandonados e nós recolheríamos. Infelizmente a população é muito acomodada, não tem sensibilidade e respeito a vida. Para mim, uma ONG só funciona se ela estiver um trabalho educativo interligado a ela. Quando eu digo que a ONG só funciona com o trabalho educativo interligado eu quero dizer no resultado final. Você recolhe um animal e consegue um lar para ele, ao mesmo tempo, está sendo abandonado mais de 5 animais, é nesse sentido que eu gostaria que as pessoas entendessem, se não houver conscientização, o abandono nunca chegará ao fim. Foi depois de muito estudo, que criei o Projeto Educacional Animais de Companhia (PEAC) onde atendemos mais de 30 crianças.


Zé Paulo - No seu perfil no Facebook é possível observar que você posta fotos de animais que precisam de ajuda e /ou estão abandonados. Como estas informações chegam até você?

Shaiane  Novais -Muitos dos animais publicados lá são de amigas protetoras, que me marcam nas fotos e solicitam ajuda para os compartilhamentos. Outros são de animais de meu antigo trabalho, onde cuidamos de mais de 10 animais, hoje Graças a Deus o número diminuiu, pois castramos todas as fêmeas e alguns foram doados.

Zé Paulo - Este trabalho está dando resultado? Compartilhe conosco eventos marcantes desta trajetória.

Shaiane  Novais - O trabalho tem sim seus resultados. Onde eu trabalhava por exemplo, praticamente não temos mais filhotes, pois todas as fêmeas foram castradas. A castração é um ato realmente de amor, tínhamos todos os meses ninhadas de cães, e com as castrações o número caiu para praticamente zero, fora que o animal fica muito mais saudável e previne diversas doenças. Já o PEAC teve seus frutos, é incrível como as crianças se apaixonam, como elas se abrem a proposta. Tivemos crianças que disseram - MEU PAI PRECISA SABER DISSO -, e alguns pais já chegaram a conversar comigo sobre o assunto. Por isso que não vejo resultado somente no resgate dos animais, é um ato importante sim, mas precisamos abrir o coração das pessoas para o tema, para a causa, para a realidade, e a melhor forma de fazermos isso é na educação e concientização principalmente das crianças.





Zé Paulo - É possível notar que os animais de estimação passaram a ser tratados como membros da família, mas ainda existem aqueles que são abandonados por seus “donos”. De acordo com suas experiências, quais as principais causas deste ato?

Shaiane  Novais - Infelizmente é a compra por impulso, a adoção por impulso. Muitos compram animais pois estão na moda ou por que são bonitinhos. a.Adotam pois ficaram surpresos com a história triste do animal e depois de um tempo enjoa. Isso acontece muito, já aconteceu com um dos animais que eu mesma doei. A cachorra que me foi devolvida ficou triste uns 10 dias, sem brincadeira, as pessoas não tem noção do quando os animais se sentem, e a rejeição é uma coisa que eles também podem sentir.

Zé Paulo - Quais as principais dicas para as pessoas que desejam ter um animal de estimação?

Shaiane  Novais - Primeiro Zé tem que se estar consciente de que o animal vive de 15 a 20 anos. Se o animal for filhote tem que ter consciência que ele é super ativo e vai querer brincar, passear, realmente como uma criança. Esse cãozinho/gatinho precisam de uma boa alimentação, cuidados veterinários e de muito amor e carinho. Vocês tem condições de proporcionar tudo isso ao novo amigo? Essas são coisas básicas que todos devem saber antes de adotar um animalzinho. E lembre-se sempre, ninguém gosta de ficar preso, então tenha um local onde seu animal possa ficar solto, nunca se esquecendo de colocar a coleira e a plaquinha de identificação com o nome do animal e o telefone. Para os gatinhos é muito importante telar todos os locais acessíveis as ruas, para que ele não possa escapar e é claro, castre e adote sempre!

Zé Paulo - E para aqueles que encontram um animal abandonado, como podem ajudar?

Shaiane  Novais - Eu sempre peço para que as pessoas ajudem resgatando esse animal, levando ao veterinário e dando um Lar Temporário até que se consiga um novo dono para ele. Depois que o animal estiver saudável para adoção, tire a foto e poste nas redes sociais, envie aos amigos por e-mail, muitos lares responsáveis são conseguidos dessa forma e é muito gratificante. Nunca digo para levar para as ONG`s, pois hoje elas se encontram em super lotação. O Canil Municipal de nossa cidade eu optaria somente em casos extremos, de não haver como ninguém recolher. Afinal nada como uma casa com muito carinho para quem estiver doente. Zé, muito obrigada pela oportunidade, ficando alguma dúvida vocês podem entrar em contato comigo pelo e-mail peac.stz@hotmail.com Abraços a todos os leitores e leitoras!!!!

Adotar e castrar é um ato de amor!